O nome "Big Brother" é mais lembrado pelo reality show da Globo do que pela obra original que envolvia o personagem fictício do romance "1984" de George Orwell. Na sociedade descrita por Orwell, todas as pessoas estão sob constante vigilância das autoridades, principalmente por teletelas (telescreen), sendo constantemente lembrados pela frase propaganda do Estado: "o Grande Irmão zela por ti" ou "o Grande Irmão está te observando"
Bem vamos ao caso do CAR.
O Cadastro Ambiental Rural, instituído pelo Novo Código Florestal, querendo ou não, assim como a obra de ficção de Orwell, vai possibilitar um aumento por parte do estado da vigilância que poderá culminar na violação e invasão de privacidade dos proprietários rurais.
Para entender melhor a questão é bom lembrar como o novo cadastro vai funcionar.
Primeiro. Desde 1996 todo o imóvel rural do país que declara na DITR (Declaração do Imposto Territorial Rural) área de APP ou RL é obrigado a fazer o ADA (Ato Declaratório Ambiental).
Segundo. Para declarar o ADA o produtor necessariamente deve estar registrado no CTF (Cadastro Técnico Federal).
Terceiro. Ao abrir o CAR, no site do IBAMA o proprietário inicia na tela principal com os devidos dados e na seqüência ao acessar o "mapa" a imagem já abre uma janela tendo como alvo a área do imóvel identificado.
Tudo isto é possível porque as informações disponibilizadas ao IBAMA (ADA e CTF) são georreferenciadas, isto é, localizam no mínimo a sede do imóvel a partir das coordenadas informadas no ADA.
O que estava faltando era a informação do perímetro dos imóveis e seus limites.
Agora com a implantação do CAR o estado vai finalmente ter a malha fundiária a sua disposição, previsto a princípio no prazo de um ano após publicação de ato normativo.
Agora vamos imaginar o que um governo tirano e arrecadador com todas estas informações disponíveis, sobrepostas a imagens de satélites atualizadas em intervalos regulares de três horas, pode fazer em termos de vigilância sobre o cidadão que está produzindo.
Voltando a obra "1984" e parafraseando os autores deste gênero da literatura, podemos reafirmar que "o grande mérito da ficção científica não é prever o futuro, mas pintar um futuro tão horrível que as pessoas possam lutar para que ele não aconteça".
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